A ciência enriquece a inteligência, já a literatura enriquece a personalidade inteira.
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As verdades não se contradizem senão quando se desordenam.
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O progressista acredita que tudo torna-se obsoleto brevemente, salvo suas ideias
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A relatividade do gosto é desculpa que adotam as épocas que possuem mau gosto.
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Quando miramos alto não há público capaz de dizer se acertamos.
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Quem vive largos anos assiste a derrota de sua causa.
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O que a imaginação não completa é mero fragmento da realidade.
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Um livro é medíocre quando é possível definir sua excelência.
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A época de liberação sexual reduz a uns poucos gritos de espasmos as ricas modulações da sensualidade humana.
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O homem atual admira apenas os textos histéricos.
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A superficialidade consiste, basicamente, no ódio às contradições da vida.
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O impacto de um texto é proporcional à astúcia de suas reticências.
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Não há verdade que não seja lícito estrangular se há de ferir a quem amamos.
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O sacrifício da profundidade é o preço que exige a eficácia.
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Já não existem anciões senão jovens decrépitos.
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A inveja não é vício de pobre, mas de rico. Do menos rico ante o mais rico.
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O cinismo não é indício de agudeza mas de impotência.
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As duas asas da inteligência são a erudição e o amor.
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A imaginação não é o lugar onde a realidade se falsifica, mas onde se cumpre.
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A vulgaridade não é um produto popular senão um subproduto da prosperidade
burguesa.
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A ideia perigosa não é a falsa, senão a parcialmente correta.
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A vocação genuína faz o escritor escrever apenas para si mesmo. Primeiro por orgulho, depois por humildade.
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O que significa a beleza de um poema não tem relação alguma com o que o
poema significa.
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A influência não enriquece senão os espíritos originais.
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Nada que não possua valor se distingue do que o possua senão pelo próprio valor.
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Para renovar não é necessário contradizer, mas aprofundar.
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A verdade é uma maneira de pensar e de sentir.
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A pessoa que não seja algo absurda resulta insuportável.
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A inteligência não consiste no manejo de idéias inteligentes, mas no manejo
inteligente de qualquer ideia.
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Toda reta leva direto a um inferno.
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As “soluções” são as ideologias da estupidez.
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A crença na solubilidade fundamental dos problemas é característica própria ao
mundo moderno. Que todo antagonismo de princípios é simples equívoco, que
haverá aspirina para toda cefaléia.
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A ética deve ser a estética da conduta.
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Se o burguês de ontem comprava quadros porque seu tema era sentimental ou
pitoresco, o burguês de hoje não os compra quando têm tema pitoresco ou
sentimental. O tema segue vendendo o quadro.
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Todo o que faça sentir ao homem que o mistério o envolve torna-o mais
inteligente.
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Ensinar exime da obrigação de aprender.
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O otimismo inteligente nunca é fé no progresso, mas esperança no milagre.
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O homem inteligente costuma fracassar, porque não se atreve a crer no
verdadeiro tamanho da estupidez humana. A verdade está na história, mas a história não é a verdade.
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Educar a alma consiste em ensinar-lhe a transformar em admiração sua inveja.
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Crer é penetrar nas entranhas do que meramente sabíamos.
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O pior vício da crítica de arte é o abuso metafórico do vocabulário filosófico.
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A hipocrisia não é a ferramenta do hipócrita, senão sua prisão.
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Só o imbecil não se sente nunca co-partidário de seus inimigos.
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A imparcialidade é filha da preguiça e do medo.
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O amor à pobreza é cristão, mas a adulação ao pobre é mera técnica de
recrutamento eleitoral.
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A estatística é a ferramenta daquele que renuncia a compreender para poder
manipular.
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A grandiloqüência das teorias estéticas cresce com a mediocridade das obras,
como a dos oradores com a decadência de sua pátria.
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O ironista desconfia do que diz sem crer que o contrário seja certo.
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Temos necessidade de que nos contradigam para afinarmos nossas idéias.
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A literatura toda é contemporânea para o leitor que sabe ler.
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A prolixidade não é excesso de palavras, mas sim escassez de idéias.
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O homem mais desesperado é somente o que melhor esconde sua esperança.
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Dos seres que amamos sua existência nos basta.
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Quem critica ao burguês recebe duplo aplauso: o do marxista, que nos julga
inteligentes porque corroboramos seus prejuízos; o do burguês, que nos julga
acertados porque pensa em seu vizinho.
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Vencer a um idiota nos humilha.
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Como pode viver quem não espera milagres?
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Pensar que só importam as coisas importantes é sintoma de barbárie.
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Vivemos porque não nos vemos com os olhos que os demais nos vêem.
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Entre a anarquia dos instintos e a tirania da ordem, estende-se o fugitivo e puro
território da perfeição humana.
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O tom professoral não é próprio do que sabe, senão do que tem dúvidas.
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Ninguém pensa seriamente enquanto a originalidade lhe importa.
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A “psicologia” é, propriamente, o estudo do comportamento burguês.
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Amor é o ato que transforma a seu objeto de coisa em pessoa.
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O homem vive a si mesmo como angústia ou como criatura.
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O estado moderno fabrica as opiniões que recolhe depois respeitosamente
com o nome de opinião pública.
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Amar é compreender a razão que teve Deus para criar ao que amamos.
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Amar é rondar sem descanso em torno da impenetrabilidade de um ser.
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A ideia inteligente produz um prazer sensual
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“Encontrar-se”, para o moderno, quer dizer dissolver-se em uma coletividade
qualquer.
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Os problemas metafísicos não acossam ao homem para que os resolva mas
para que os viva.
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A feiúra do rosto moderno é um fenômeno ético.
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Chamam-se progressos os preparativos das catástrofes.
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A sensibilidade não projeta uma imagem sobre o objeto, mas uma luz.
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A função didática do historiador está em ensinar a toda época que o mundo
não começou com ela.
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Aprender a morrer é aprender a deixar morrer os motivos de esperar sem
deixar morrer a esperança.
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A poesia resgata as coisas ao reconciliar na metáfora a matéria com o espírito.
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Uma resenha de literatura contemporânea nunca permite saber se o crítico crer
viver no meio de gênios ou se prefere não ter inimigos.
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O inimigo de uma civilização é menos um adversário externo que o interno desgaste.
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Se costuma apregoar direitos para poder violar deveres.
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O anonimato da sociedade moderna obriga a todo o mundo a pretender-se
importante.
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Ao divorciar-se religião e estética não se sabe qual se corrompe mais
depressa.
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Os museus são o castigo do turista.
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Problema que não seja econômico não parece digno, em nosso tempo, de
ocupar um cidadão sério.
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O moderno não tem vida interior: apenas conflitos internos.
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A lei é o método mais fácil de exercer a tirania.
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Só o inesperado satisfaz plenamente.
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A vida é um combate cotidiano contra a estupidez própria.
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O individualismo é o berço da vulgaridade.
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A estupidez se apropria com facilidade do que a ciência inventa.
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A literatura que diverte o que a faz, emburrece quem a lê.
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Inteligência não aspira a libertar-se, mas a submeter-se. A verdade é o resplendor da necessidade.
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A burguesia é todo conjunto de indivíduo inconformados com o que possuem, mas satisfeito com o que são.
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Ao repudiar os ritos, o homem se reduz a animal que copula e come.
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As pessoas sem imaginação nos congelam a alma.
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Só a religião pode ser popular sem ser vulgar.
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A fé não é uma convicção que possuímos, mas uma convicção que nos possui.
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Os ritos preservam a fé, os sermões minam a fé.
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O calor humano em uma sociedade diminui à medida que sua legislação se
aperfeiçoa.
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A moda, mais ainda que a técnica, é causa da uniformidade do mundo
moderno.
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O homem moderno destrói mais quando ele constrói do que quando ele destrói.
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O homem moderno destrói mais quando ele constrói do que quando ele destrói.
[In: DÁVILA, Nícolas Gómez. Escolios a un texto implícito (selección)]

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